estava eu, um destes dias, sentado calmamente numa esplanada com a Meriel e a observar distraidamente os pombos que passeavam pelas redondezas, quando a minha atenção, após alguns instantes, se cravou no facto de, ao caminharem, aquelas criaturas abanarem a cabeça para trás e para a frente a cada passo que davam. se caminhassem mais depressa, também mais depressa agitavam a cabeça. o resultado é um movimento engraçado e que originou uma troca de comentários divertidos entre a Meriel e eu. no fundo, é uma cena a que assistimos praticamente todos os dias mas sobre a qual não reflectimos,
tal como acontece com a maior parte das coisas com as quais estamos habituados a conviver. de acordo com a filosofia de vida que adoptei – a de insistente curiosidade perante as coisas mais banais - e intrigado com a causa daquele movimento, decidi investigar.
na realidade não são apenas os pombos que movem a cabeça ao caminharem - existe uma grande diversidade de aves que o faz - mas neste artigo vamo-nos concentrar neles em particular. a primeira teoria que encontrei sobre o assunto versava que os pombos movem a cabeça com o objectivo de manter o equilíbrio. ou seja, não se situando as pernas no local mais indicado de modo a equilibrar o peso do corpo e a mantê-lo estável, se a criatura caminhasse sempre com a cabeça esticada para a frente acabaria por se estatelar no chão.
não me pareceu muito sensato que, após centenas de milhar de anos de evolução, uma criatura ainda precisasse de um método tão pouco ortodoxo e incómodo para manter o equilíbrio. para além disso é fácil observar que os pombos, quando estão quietos, não tombam para a frente. ao que tudo indica as pernas dos pombos encontram-se no lugar certo para conseguir alguma estabilidade. após chegar a esta conclusão continuei a investigar.
se observarmos um vídeo em “câmara lenta” de um pombo a caminhar constatamos que na realidade a cabeça permanece no mesmo sítio enquanto o resto do corpo se move. depois, aquela é novamente “atirada” para a frente até o pescoço estar todo esticado e lá fica à espera que o resto do corpo a acompanhe. é precisamente a teoria baseada nesta observação que me parece a mais verosímil: este gesto faz com que a cabeça permaneça imóvel durante o maior tempo possível e, assim sendo, o pombo pode focar a visão de um modo mais eficiente.
de modo a garantir a sobrevivência, os objectivos de uma ave assentam em geral em conseguir detectar eventuais movimentos à sua volta que revelem simultaneamente potenciais predadores e presas. e o melhor modo de detectar movimento é o de permanecer quieto. esta técnica de imobilizar a cabeça durante um intervalo de tempo permite manter a mesma eficácia e obter resultados similares de observação enquanto se caminha. outros animais não fazem o mesmo porque o seu pescoço não é suficientemente longo para conseguir manter a cabeça estática durante um período minimamente interessante (note-se que o pescoço das aves que utilizam esta técnica é muito longo, apesar de não termos essa noção por ele estar normalmente encoberto por penas).
tendo aqui chegado e compreendido algo tão interessante sobre estes nossos pequenos companheiros, resta-me dizer que passei a respeitá-los um pouco mais, pois mostraram ser mais evoluídos do que eu pensava. mas continuo a achá-los cómicos...
tal como acontece com a maior parte das coisas com as quais estamos habituados a conviver. de acordo com a filosofia de vida que adoptei – a de insistente curiosidade perante as coisas mais banais - e intrigado com a causa daquele movimento, decidi investigar.na realidade não são apenas os pombos que movem a cabeça ao caminharem - existe uma grande diversidade de aves que o faz - mas neste artigo vamo-nos concentrar neles em particular. a primeira teoria que encontrei sobre o assunto versava que os pombos movem a cabeça com o objectivo de manter o equilíbrio. ou seja, não se situando as pernas no local mais indicado de modo a equilibrar o peso do corpo e a mantê-lo estável, se a criatura caminhasse sempre com a cabeça esticada para a frente acabaria por se estatelar no chão.
não me pareceu muito sensato que, após centenas de milhar de anos de evolução, uma criatura ainda precisasse de um método tão pouco ortodoxo e incómodo para manter o equilíbrio. para além disso é fácil observar que os pombos, quando estão quietos, não tombam para a frente. ao que tudo indica as pernas dos pombos encontram-se no lugar certo para conseguir alguma estabilidade. após chegar a esta conclusão continuei a investigar.
se observarmos um vídeo em “câmara lenta” de um pombo a caminhar constatamos que na realidade a cabeça permanece no mesmo sítio enquanto o resto do corpo se move. depois, aquela é novamente “atirada” para a frente até o pescoço estar todo esticado e lá fica à espera que o resto do corpo a acompanhe. é precisamente a teoria baseada nesta observação que me parece a mais verosímil: este gesto faz com que a cabeça permaneça imóvel durante o maior tempo possível e, assim sendo, o pombo pode focar a visão de um modo mais eficiente.
de modo a garantir a sobrevivência, os objectivos de uma ave assentam em geral em conseguir detectar eventuais movimentos à sua volta que revelem simultaneamente potenciais predadores e presas. e o melhor modo de detectar movimento é o de permanecer quieto. esta técnica de imobilizar a cabeça durante um intervalo de tempo permite manter a mesma eficácia e obter resultados similares de observação enquanto se caminha. outros animais não fazem o mesmo porque o seu pescoço não é suficientemente longo para conseguir manter a cabeça estática durante um período minimamente interessante (note-se que o pescoço das aves que utilizam esta técnica é muito longo, apesar de não termos essa noção por ele estar normalmente encoberto por penas).
tendo aqui chegado e compreendido algo tão interessante sobre estes nossos pequenos companheiros, resta-me dizer que passei a respeitá-los um pouco mais, pois mostraram ser mais evoluídos do que eu pensava. mas continuo a achá-los cómicos...
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