16 março 2012

Essência

Hoje choquei de frente com a minha realidade.
Eu sei que dizer que já não sou uma moça jovem, é um eufemismo, mas ainda não abarcara a realidade do meu aspecto actual.
Devo ter entrado numa perfumaria aí umas três vezes na minha vida. Como não sou consumidora dos produtos que lá se vendem, essa visitas foram fruto da necessidade de comprar uma prenda mais especial.
Hoje fui a uma perfumaria comprar a prenda para o Dia do Pai. E, tendo a vendedora, uma moça bastante simpática, entabulando conversa comigo, expliquei-lhe que não costumo comprar perfumes porque não uso, nem nunca usei perfume. Ela pergunta porquê e eu respondo que não gosto do cheiro resultante do contacto dos perfumes com a minha pele, que é sempre o mesmo: o daqueles perfumes que nos idos anos 70 iam comprar a Badajoz. Aí ela, qual anjo redentor, diz-me que me vai oferecer uma amostra de um perfume que “é a minha cara”, que tem uma grande “envolvência” e que eu vou “adorar”.
Lá venho eu com a amostra e, temerária, coloco um pouco no pulso.
E a que cheirava aquilo? Não sei porque que artes ou recurso a tecnologias de ponta, conseguiram juntar as essências do seguinte:
- Pó talco
- Água de Rosas
- Naftalina
- Fraldas para incontinentes
É este o perfume certo para mim! Devia chamar-se “Essência de Lar de terceira Idade” ou então “Defunta 85+” que é um nome mais moderno.

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