24 abril 2007

Nada

De súbito terminou aquela febre outrora incessante de copiar para o papel situações, sensações, criações e opiniões que surgiam em espiral do nada. À minha frente, apenas uma folha em branco. Minto, à minha frente estava, na realidade, uma janela do processador de texto vazia. O que era praticamente a mesma coisa.
E fiquei assim, durante uma curta eternidade (onde é que eu vou arranjar tantas expressões idiotas como esta?) à espera que me surgisse uma inspiração. Inspirei uma vez, inspirei outra vez e mesmo assim nada de inspiração.
Pensei em várias coisas que pudessem servir de ponto de partida. O amor, a vida, a natureza, o mar, a morte ou a música como exemplo para a ficção ou a poesia. Sobre a actualidade, o leque ainda era maior - desde política a futebol. Mas de uma forma ou de outra, numa altura ou noutra, já tinha escrito sobre tudo isso.
Continuei a olhar para o monitor.
Senti-me tão vazio como a janela do processador de texto.
Foi então que, após uma expiração, surgiu a inspiração.
Uma vez que já tinha escrito sobre tudo, porque não escrever sobre nada?
Agarrando-me firmemente a esta ideia, tentei dar o melhor escrevendo sobre nada.
Falhei.
A única coisa que consegui foi um pequeno texto de exactamente duzentas e vinte e nove palavras sobre a única vez em que tentei escrever sobre nada.

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